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moã - mostra de cinemas negros e indígenas

Uma curadoria realizada a partir das múltiplas relações estabelecidas e agenciadas na ação do imaginar, experienciar e do fazer pelas nossas mãos, Moã, indígenas e negras. Essas que tocam as maracas, os tambores, acendem as fogueiras, os cachimbos, semeiam e colhem as sementes, que alimentam e se comunicam com a natureza. Mãos que tecem e narram, a todo momento, memórias. Que acessam e mantêm “vivas” ciências e ancestralidades.

Foi necessário “ritual” para curarmos a Moã, da mesma forma como no preparo, por exemplo, de banhos e chás de ervas, utilizadas para o nosso fortalecimento e cura espiritual, tecnologias e estratégias que nos fazem continuar vivos, mesmo diante do “fim do mundo”. 

As produções que compõem a mostra sinalizam a nossa consciência sobre a potência das nossas expressividades, que somos capazes de sermos os autores das nossas próprias narrativas, de reinventar e atualizar   os paradigmas estéticos no campo do audiovisual na contemporaneidade. Demarcam e descolonizam as telas.  Reafirmam possibilidades outras para um cinema que projete nossos corpos, vozes e subjetividades, que contemplem a pluralidade de nossas identidades étnicas e de gênero, cosmologias e religiosidades.

É nesse sentido que a Moã apresenta um vocabulário de emoções onde pode-se acessar fabulações de encantamentos, mandinga e ebós visuais, estados da natureza como espinha dorsal da vida. Vemos uma câmera que corre em sentido da luz, um cinema que acompanha a vida e suas questões com o tempo, não linear e não ordenado, escritas de sua existência no processo de investigação de seus próprios arquivos, memórias, ventos e inventos. 

Incorpora o transe a partir da composição das camadas que se formam entre imagens, sons e experiências no olhar e no fazer cinema. Trocar saberes, contar história, apertar o rec, compor sentidos e abstrações sinestésicas quando a própria imagem pode ser caminho de cura. 

Quando Conceição Evaristo fala da memória negra diaspórica inventada como estratégia de concepção das narrativas de si, assim como Ailton Krenak fala sobre a importância de vivermos nossas subjetividades com a liberdade que fomos capazes de inventar, acreditamos que a Moã constela elementos e travessias que nos permite estabelecer diálogos e costuras a partir dos filmes a seguir.

Graci Guarani 

Ziel Karapotó

Thiago Costa

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