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exposição coletiva

SOBRE A MEMÓRIA E A DERIVA - POSTULAÇÕES
Por Abiniel João Nascimento e Thiago Costa


I.
O pensamento do corpo no espaço desloca as linhas imaginárias do território e põe à
mostra as suas multiplicidades, revelando em seu núcleo narrativas afluentes. Diluídas em
vivências que se encontram, se incorporam e/ou se dissipam, o Eu se realiza na produção de
Nós. Em movimento, estes corpos deambulam sobre a terra, oxidando sob seus passos os
calos de uma caminhada constante e insistente, arquitetando sobre essa territorialidade a
memória de um tempo. Todavia, as fronteiras construídas (de tempo, espaço e língua) se
reverberam com eloquência na produção de desencontros.

Indagamos:
a. Como produzir estuários frente às mecânicas margens que nos desaproximam?
b. Como potencializar corpos elaborando confluências nas produções de
sentidos?

II.
Partimos de um ponto: a configuração da memória do corpo - esse receptáculo de um
arquivo inconstante e construído através das relações postas. Matéria que reverbera em sua
constituição os vestígios de deslembranças e busca em seus esforços o desvelamento de
desesquecimentos. Aqui entendemos que há naturalização da memória e não mais exercícios
espontâneos de arquivo.
Isso posto, corpos sensíveis buscam na produção de sentido a reconhecença de um
local que já não é mais fixo, mas que se desmaterializa e se reconstrói em movimentos fluidos:
lugar de desvio e recusa d’um destino pré-estabelecido pelos códigos preponderantes. Corpos
que buscam oxidar a matéria latente na razão da quebra de um tempo cronológico, também
de um tempo de linguagem. Assim sendo, passado, presente e futuro se cacofonizam em suas
literalidades. Constitui-se uma deriva.
III.

Aqui entendemos a deriva como processo constante, incorporada ao nosso fazer/viver
como potência discursiva – reimaginando o desvio como lugar de experiência. Cá, a deriva é

um processo dicotômico que começa a partir do mapeamento do desconhecido, mas
que vai em busca de movimentos progenitores que se desnudam no vai-e-vem dos devires
afronteiriços no tempo.
Todavia, a deriva nega o não-lugar, entende o trânsito e a efemeridade como lugares
do tempo. Tempo que constitui corpo. Repensa as fronteiras para se repensar a produção
de limites. O que pode o corpo? repete-se.
IV.
A fronteira é uma ficção.
V.
Não obstante, a elaboração de olhares sobre a produção de sentidos/corpos de nossos
pares toma forma a partir de trajetos refeitos. No desejo de tatear no escuro das histórias
incrímines as experiências que convergiram quando as confluências corporais adviram, onde
a volta reverbera o que o encontro provocou.
VI.
Reconhecendo a experiência de encontro enquanto dispositivo de potencialização do
sentido, engendramos a busca pela costura de uma narrativa relacional que se estabeleça
duplamente entre sentidos materializados em obras e tempos materializados em corpos. Na
visa de criar um espaço de multiplicidade e contaminação ancorado na memória do lugar de
desvio.

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